A Bacia Amazônica, o maior e mais biodiverso sistema fluvial do mundo, abrange nove países e desempenha um papel fundamental no sustento dos ecossistemas, dos Povos Indígenas, das comunidades locais e na regulação climática global. No entanto, sua natureza transfronteiriça apresenta desafios complexos de governança, influenciados por interesses econômicos conflitantes, mudanças climáticas e estruturas institucionais fragmentadas. Garantir a sustentabilidade ecológica, o uso equitativo dos recursos e a mitigação de conflitos exige uma ação coordenada entre os países.
A governança na Amazônia opera em múltiplas escalas—local, nacional e internacional—envolvendo uma diversidade de atores, desde governos e comunidades indígenas até organizações não-governamentais e entidades privadas. No entanto, abordagens tradicionais centradas no Estado frequentemente não conseguem responder à complexidade socioecológica da bacia. Embora a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) tenha promovido a colaboração regional desde 1995, ainda há uma necessidade urgente de estruturas de governança mais integradas e adaptativas, que fortaleçam a participação local e a coordenação transnacional.
Os riscos climáticos na Amazônia, como os que afetam os ecossistemas e sistemas hidrológicos compartilhados, reforçam ainda mais a necessidade de cooperação transfronteiriça. A Bacia Trinacional do Rio Acre—localizada na tríplice fronteira entre Bolívia, Brasil e Peru—enfrenta esses desafios de forma direta, exigindo uma governança coordenada para lidar com as vulnerabilidades climáticas e garantir a gestão sustentável da água. Por exemplo, a região MAP (Madre de Dios no Peru, Acre no Brasil e Pando na Bolívia) está sujeita a eventos hidroclimáticos extremos, como inundações prolongadas e chuvas cada vez mais intensas, que se tornaram mais frequentes nos últimos anos. Essas mudanças destacam a necessidade urgente de governança adaptativa e cooperação transfronteiriça para mitigar riscos e fortalecer a resiliência.
Este projeto gerará percepções relevantes e recomendações práticas para fortalecer a governança transfronteiriça das águas na Bacia Trinacional do Rio Acre. Os principais resultados incluem:
Esses resultados contribuirão para uma melhor coordenação institucional, para a tomada de decisões informadas pelo clima e para a sustentabilidade de longo prazo na Bacia Amazônica.
Este projeto é financiado pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA) por meio do Comitê Global de Pesquisas do Instituto Ambiental de Estocolmo.



