O objetivo deste projeto é analisar como mercados, negócios e sistemas de produção de “especialidades” podem promover cadeias de valor includentes no Brasil e na Colômbia.
Pesquisas anteriores de nossa equipe revelaram que comunidades locais, pequenos produtores, organizações da sociedade civil, bem como autoridades públicas nos trópicos, frequentemente enfrentam dificuldades para promover suas economias de biodiversidade local. Há uma percepção de descompasso entre a diversidade inerente dos produtos locais, o enraizamento cultural, às vezes formas artesanais de produção, e as características e demandas dos mercados de commodities.
Além disso, há uma necessidade urgente de inovação na formulação de políticas para combater o desmatamento. A produção científica e a criação de políticas de mudança do uso do solo têm sido dominadas por uma agenda apenas de “evitar danos”, ligada à devida diligência, desmatamento zero e ausência de violação aos direitos humanos, mas que falha em atender à necessidade por mudança transformadora nas fronteiras de desmatamento.
A COP 30 acontecendo na Amazônia torna essa necessidade de inovação nesse espaço ainda mais evidente. Nossa meta, portanto, se desdobra em três objetivos e questões de pesquisa interrelacionadas:
Repensar o desenvolvimento sustentável para regiões tropicais como a Amazônia continua sendo um dos principais desafios do século XXI. Cada ano, 4-5 milhões de hectares de vegetação nativa são perdidos nos trópicos, 90-99% disso devido à expansão insustentável da agricultura, e na maior parte das vezes para a produção de algumas poucas commodities como soja e óleo de palma.
A mudança de uso do solo é a principal fonte de emissões de gases de efeto estufa em muitos países tropicais, assim como o principal vetor de perda de biodiversidade. No Brasil, palco da COP do clima em 2025, tanto quanto 74% das emissões derivam da agricultura ou mudança de uso do solo, principalmente devido ao desmatamento.
Uma razão chave para o problema acima é que o desenvolvimento econômico em regiões tropicais frequentemente tem se tornado atrelado à expansão de monocultivos industriais. Enquanto atendem a certos interesses setoriais, eles eliminam a vegetação nativa das paisagens tropicais e, junto com ela, as comunidades locais e seus meios de vida não relacionados àqueles setores. Porém, escapar dessa dinâmica é difícil e requer inovação em torno de alternativas econômicas.



